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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pastel de bacalhau com nata pirata


Não é a primeira vez que uma situação como esta acontece e que coloca o dedo na ferida em relação a questões de propriedade intelectual.

Segundo Dalila e Renato Cunha, do restaurante Ferrugem (Famalicão), uma receita por eles criada e registada foi descaradamente copiada e apresentada num programa de televisão. Ler aqui


(post encontrado no mesamarcada



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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Mil bolas-de-berlim por dia e com amigos no Facebook

Mil bolas-de-berlim por dia e com amigos no Facebook

É uma verdadeira romaria que faz da Pastelaria Manuel Natário um ícone dos doces de Viana do Castelo, com as suas bolas-de-Berlim. A mesma qualidade que acaba de ser reconhecida com o Prémio Mérito Comercial, entregue à actual proprietária, que tenta manter viva uma tradição de décadas. E tudo o resto parece que parou no tempo, com uma máquina registadora dos primórdios, mesas e cadeiras de madeira a lembrar tempos idos, ou fotografias tão antigas como a própria casa. (continuar a ler)

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Restaurantes vão lançar títulos de refeição para “pobres envergonhados”

Os mais de 300 restaurantes associados da AHRESP vão receber, a partir do meio do mês, títulos de refeição especialmente concebidos para comparticipar as refeições dos “pobres envergonhados”, disse à Lusa o secretário-geral daquela entidade. (continuar a ler aqui)


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Is It Time for an Oil Change in the Kitchen?

«So the choice of everyday frying oil should indeed be a matter of taste. Choose a cheap or expensive oil as you like. Fans of extra-virgin olive oil willingly pay more for its provenance and polyphenols as much as its aroma. But learn to taste the difference between good fresh oils and stale or funky ones. Buy small containers that you’ll use up in a few weeks, keep them dark and cool, and taste before you fry.»


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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Movimento "slow cities" chega ao Algarve

Contrariando o frenesim das cidades e a falta de qualidade de vida inerente, foi criado o movimento "slow cities" (cidades lentas). O conceito já tem vários anos mas só agora chega a Portugal, via Algarve.


Uma delegação italiana do movimento "slow cities" (cidades lentas) chega sexta-feira ao Algarve para visitar Lagos, Silves e Tavira e a vila de São Brás de Alportel, candidatas à integração no movimento.

Inspirado no movimento "slow food" (comida lenta), o conceito "slow cities" nasceu há mais de uma década em Itália, onde conta já com 34 cidades aderen tes, e estendeu-se depois à Alemanha, Espanha e Croácia, disse à Lusa uma especialista do movimento, Ana Maria Albuquerque.

(continuar a ler)


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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

The Food Processor: A Virtuoso One-Man Band


the food processor can grate chocolate and make compound butters; slice apples for pies or tarts; dice tomatoes for salsa and purée vegetables for side dishes; turn eggplant into baba ghanouj; make doughs for pastries and breads; and grind fish.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

FOODIE by Clara Ferreira Alves

Tornei-me uma foodie. Uma foodie é alguém que gosta muito de comida, de ver, de preparar, de comer. Gostar é quase amar, é assim como um fogo que arde sem se ver. Ou seja, foodie não apenas como paixão platónica e funcional, desconstruída e abstractizante, e sim como lírico e camoniano amor. Se, depois do abstractizante e do desconstruído, os leitores ainda estão comigo, podem continuar, prometo que não volta a acontecer.
Foodie. Ou, como diriam os ingleses vistos na perspectiva do saudoso Laurodérmio (ressuscitado no DVD da série do "Herman Enciclopédia", de longe a melhor coisa que se fez em Portugal em humor, a mais inteligente, a mais revolucionária, a mais obscenamente livre), "da fóóóodai". Ou, como diriam os verdadeiros ingleses, "da fuuuedie". Um foodie, ou uma foodie, não pode ser confundido com o guloso ou a sua forma mais extrema e prevaricadora, o glutão. O foodie não é gordo, não é gorduroso e não é fácil de aturar, porque é exigente. Não é vegetariano, nem biológico, nem macrobiótico, nem orgânico. Não é verde, nem vermelho, nem ecologista, nem transgénico. É alguém que compra alimentos frescos, que aprecia mercados como La Boqueria, de Barcelona, e que foge de hipermercados e ultracongelados. É alguém que não gosta muito de muitos restaurantes, a não ser, como na anedota, pelo convívio. Quando digo restaurantes não estou a falar de estrelas Michelin nem de listas elitistas, estou a falar de restaurantes normais, sendo certo que prefiro uma tasca de ruela e vinho da casa e um restaurantezinho familiar escondido no meio do sobrado e da cal do Alentejo às espumas e rendas carbónicas de Ferran Adrià. Embora um Château d'Yquem seja um Château d'Yquem. O foodie tem geografia sentimental. E hábitos. Um foodie prefere passar fome a comer depressa e em pé.
Muitos restaurantes nem sempre estão à altura da gastronomia portuguesa, com reconhecidas excepções. Não sabem temperar uma salada, não sabem usar especiarias, não sabem usar o frigorífico, não sabem prescindir do pão eléctrico e vácuo, não sabem a diferença entre cru e curado, não sabem comprar peixe nem carne, não se interessam pelos pormenores. E os pormenores são a substância. Cavam-se abismos entre frango de aviário, galinha do campo e pintada, entre vazia, lombo e bochecha, entre captura e aquicultura, entre sol e estufa, entre azeite virgem e óleo, entre manteiga e margarina, entre sal e flor de sal, entre orégão seco e orégão ressequido, entre pimenta em grão e moída, entre café brasileiro e colombiano, entre tripa e morcela, entre linguiça e farinheira, entre chocolate preto e manteiga de cacau, etc., etc.
Comer melhor não significa comer mais caro. Significa tempo e paciência. A comida orgânica teve anos de má reputação. Tudo era murcho, amarelado e decadente. A maçã era pequenina e bichada, a uva era aguada, a carne era incolor, insípida e inodora, os ovos eram brancos e brancos em vez de amarelos e brancos. Hoje, a comida orgânica, sem aditivos nem conservantes, sem químicos nem pesticidas, é de grande qualidade. Pode ser cultivada numa escala de jardim. Dois palmos de terra bastam para as ervas. Manjericão (o tomate sem o manjericão fica viúvo), estragão, salsa, hortelã, rosmaninho, funcho, segurelha... e cuidado com os caracóis.
Em Londres, existem várias lojas do empório Whole Foods, uma cadeia que nasceu na Califórnia e que pertence a uma filosofia foodie que descende da senhora Alice Waters, fundadora do restaurante californiano Chez Panisse. Waters dedica-se agora a fazer com que as escolas americanas comecem a adoptar menus saudáveis em vez de fast food e doces de fábrica. Os foodies, bem entendido, são adeptos da slow food, da comida com vagar e sem linhas de montagem.
Nos mercados Whole Foods encontra-se tudo e tudo é bom e fresco. Os fornecedores, da carne à fruta, do peixe aos secos e molhados, contam a história das suas quintas e da sua relação com o que fazem. Há revistas, receitas, cursos de cozinha, provas de vinhos, encontros de foodies, palestras e viagens. Como um clube, exactamente. Com site na Internet.
Uma educação sobre o que comemos sem o proselitismo desagradável. Na minha infância, quase toda a comida era assim. Whole. Uma gema de ovo batida com cerveja preta, canela e açúcar amarelo dava um lanche. Os pêssegos sabiam a néctar e no Outono confeccionavam-se compotas com a fruta mole. Quem provou um doce de figo e paus de canela ou de abóbora amarela, sabe do que falo. Morno. Espalmado em fatias de pão de trigo. Huummm. Ver o filme "Julia e Julie", de Nora Ephron, sobre Julia Child, é o presente de Natal do foodie. Delicioso. Delicious. Ou, como diriam os ingleses, "delaichoses".

Texto publicado na edição do Expresso de 19 de Dezembro de 2009